Ativos do Banco Master cresceram 2.123% após Daniel Vorcaro assumir o controle

  • 22/04/2026
(Foto: Reprodução)
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 Rovena Rosa/Agência Brasil Desde que banqueiro Daniel Vorcaro assumiu o controle do então Banco Máxima, em outubro de 2019 até 2024, os ativos do conglomerado financeiro em que o banco está integrado passaram de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões, segundo a última demonstração financeira publicada. O número representa um aumento de 2.122,8%. Vorcaro comprou o banco em 2018, mas assumiu o controle da instituição apenas em 2019 (veja mais abaixo a linha do tempo). Ao longo de 2025, a instituição e o banqueiro passaram a ser investigados por um esquema que envolvia a emissão de CDBs com juros acima do mercado para captar recursos e a criação de carteiras de crédito falsas para simular solidez financeira. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A crise do Banco Master culminou na liquidação determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado e na prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco. Com a liquidação, as operações foram interrompidas e um liquidante foi nomeado. A maioria dos clientes foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite legal, mas o caso expôs os limites do fundo diante do volume elevado de recursos envolvidos. LEIA MAIS CDBs irreais e carteiras de crédito falsas: entenda o que está por trás da liquidação do Banco Master Como fundos da Reag foram usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master Master e Vorcaro aplicaram R$ 12,2 bilhões em fundos de investimento entre 2017 e 2025, aponta Receita Master faturou mais com revenda de consignados do que com juros em 2024, apontam dados da Receita O g1 analisou os dados de todas as demonstrações financeiras enviadas pelo conglomerado de instituições financeiras do Banco Master de 2019 a 2024. As últimas demonstrações financeiras publicadas pelo Master foram em 1º de abril de 2025 e, desde que o banco foi liquidado pelo Banco Central, nenhuma nova informação foi divulgada. 🔎 Segundo o Banco Central, "conglomerado financeiro" é o conjunto de instituições financeiras que têm relações por meio de participações acionárias majoritárias que possibilitam controle direto ou não e que atuam de forma conjunta no sistema financeiro. Pertencem ao conglomerado financeiro do Master: Banco Master Will Financeira Banco Master de Investimento Banco Voiter Banco Letsbank Banco Master Múltiplo Master Corretora de Câmbio Distribuidora Intercap de Títulos e Valores Mobiliários. Os últimos dados divulgados pelo conglomerado colocam o Master a frente do Banco Regional de Brasília (BRB), que em agosto formalizou uma proposta de compra do banco de Daniel Vorcaro por R$ 2 bilhões. Em 2019, enquanto o BRB era o 39º grupo com maior ativo no país, com R$ 16,7 bilhões, o Master ocupava apenas a 90ª posição, com um ativo de R$ 3,7 bilhões. Após assumir, Vorcaro levou o conglomerado para a 23ª posição, enquanto o BRB ficou em 29º lugar, com um ativo total de R$ 61,3 bilhões em 2024. O que mostram os dados Em dezembro de 2019, o conglomerado do Banco Master aparecia na 90ª posição com os maiores ativos entre as instituições financeiras brasileiras. Em 2024, o grupo saltou para a 23ª posição. À época, o grupo tinha um baixo volume de operações. Ao todo, eram R$ 3,7 bilhões em ativos. Os títulos e valores mobiliários (TVM), ativos financeiros como ações, títulos públicos, entre outros, somavam R$ 792 milhões e representavam 21,5% de todo o ativo. Cinco anos depois, o registro desses bens saltou para R$ 32,1 bilhões, uma alta de 3.950%, e a participação do conglomerado em todo o ativo representava 39%. Esse aumento, colocou o Master no 16º lugar entre as instituições brasileiras com mais aplicações em TVMs, a frente, inclusive, do Banco Regional de Brasília (BRB). O mesmo comportamento aparece nas operações de crédito, que geralmente são concessões de empréstimos, consignado ou não, financiamentos entre outros. Em 2019, o conglomerado registrava R$ 768,4 milhões dessas operações e, em 2024, informou ter R$ 16,8 bilhões, um aumento de 2.089%. Em caixa, o banco registrou R$ 78 milhões. No entanto, em 2024, o número saltou para R$ 397 milhões. Bens permanentes, como imóveis, veículos, móveis, entre outros, que somavam R$ 57,6 milhões em 2019, multiplicaram no período e atingiram R$ 611,5 milhões em 2024. Passivo A análise do passivo, obrigações que o conglomerado espera ter, se comporta de forma parecida com o ativo, com um aumento de 2.126%. O número saiu de R$ 3,5 bilhões em 2019 para R$ 77,3 bilhões em 2024. Em 2024, cerca de R$ 59,9 bilhões (77,5%) corresponde a depósitos feitos por clientes do banco, pessoas físicas ou jurídicas. Esses valores entram nas contas do conglomerado via depósitos ou investimentos, como aplicações em CDBs. Esse total coloca o grupo como o 15º com mais depósitos em 2024. Em 2019, o banco tinha apenas R$ 2,6 bilhões. Como comparação, o BRB fechou o ano de 2024 com R$ 39,6 bilhões em depósitos de terceiros, que representavam 68,7% de todo o passivo. O conglomerado liderado pelo Banco Itaú, por exemplo, que é quem registrou mais depósitos em 2024, R$ 1,1 trilhão, possui uma dependência de captação de recursos de terceiros menor do que o Master. Cerca de 43% de todo o passivo eram de captação de recursos de terceiros. Outra conta que representa grande parte do passivo do conglomerado do Banco Master é a de aceites e emissões de títulos, com R$ 2,7 bilhões em 2024. Resultado Assim como o aumento dos ativos, a gestão feita pelo banqueiro Daniel Vorcaro também refletiu nos resultados do conglomerado ao longo dos anos. No último ano da antiga gestão, em 2018, o então Banco Máxima terminou o ano com um prejuízo líquido de R$ 13,2 milhões e na 1.365º posição no ranking das instituições. Após Vorcaro ter assumido o controle do Master no ano seguinte, a situação mudou. O banco saiu de um resultado negativo e passou a registrar R$ 30,4 milhões de lucro líquido e alcançou a 100ª posição. A evolução do resultado continuou nos anos seguintes, tendo uma variação de 1.763% no comparativo com 2024. No mesmo ano, o conglomerado financeiro atingiu um lucro líquido de R$ 567 milhões, o 20º maior do país naquele ano. O valor foi mais que o dobro maior do que o registrado pelo BRB no mesmo ano, R$ 227 milhões. Parte do resultado foi influenciado pelo aumento das receitas financeiras que cresceram em função da mudança do comportamento do banco, que passou a realizar mais operações financeiras e investir em TVMs. Em 2019, o conglomerado teve uma receita com operações de crédito de R$ 210 milhões. O número subiu para R$ 4,6 bilhões em 2024. Apesar dos ativos com operações de empréstimo e financiamento colocarem o grupo apenas na 29ª posição, as receitas com esse tipo de operação colocaram o Master como a 14ª instituição que mais fez dinheiro com operações de crédito em 2024. O mesmo aumento aconteceu com as receitas de TVM, que saíram de R$ 63 milhões para R$ 1,7 bilhão em 2024, o 21º maior resultado com esses investimentos em todo o país. Linha do tempo da compra do Banco Master (antigo Máxima): 2017: Daniel Vorcaro compra ações do Banco Máxima; 2018: Vorcaro sinaliza intenção de comprar todo o Banco Máxima; 2019: em outubro a venda do Máxima é aprovada e Vorcaro assume o controle; 2020: primeiro ano em que Daniel Vorcaro esteve todo o tempo à frente do Banco Máxima; 2021: Vorcaro modifica o nome da instituição para Banco Master; 2022: Vorcaro cria o Banco Master Investimento; 2023: o Banco Master adquiri o BANIF, banco português; 2024: a expansão agressiva do Master continua e são adquiridos os bancos Voiter, Letsbank e Will Bank e a Intercap distribuidora de TVMs; 2025: Vorcaro tenta vender o Banco Master para o BRB. Caso Master Em novembro de 2025, foi deflagrada a primeira fase da Compliance Zero. Na ocasião, foram expedidos mandados contra a cúpula do Banco Master, incluindo o presidente Daniel Vorcaro. A justiça também determinou o afastamento do presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sob suspeita de que o banco público teria injetado bilhões no Master em operações fraudulentas. Em janeiro de 2026, uma nova fase da operação foi realizada, com foco no rastreamento do dinheiro e na recuperação de ativos. Nesse momento, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. Além disso, foram realizados 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e seus familiares. Entre os itens apreendidos, estavam carros de luxo dinheiro em espécie. Em março deste ano, na fase mais recente, foi revelada uma estrutura de coerção e infiltração em órgãos reguladores. A PF identificou um grupo chamado "A Turma", que seria uma milícia privada utilizada para monitorar e intimidar adversários e jornalistas que investigavam o banco. Servidores do Banco Central foram alvos da operação por supostamente atuarem como "consultores privados" de Vorcaro, antecipando informações e facilitando processos regulatórios em troca de propina. Diante disso, Daniel Vorcaro foi preso novamente, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. O banqueiro está preso em Brasília e em processo de negociação de uma delação. Daniel Vorcaro é preso pela PF em SP O grupo investigado responderá por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de justiça.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/22/ativos-do-banco-master-cresceram-2123percent-apos-daniel-vorcaro-assumir-o-controle.ghtml


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